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Empreendedorismo e Religião


O crescimento do empreendedorismo vinculado ao Protestantismo no Brasil: sob a análise da obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Max Weber em seus estudos sobre a origem do capitalismo notou uma correlação da religião Protestante com o desenvolvimento desse sistema econômico. Em suas análises, Weber percebeu que a Reforma Protestante proporcionou um desencantamento do mundo, propiciando assim uma visão mais racional das relações sociais, políticas e econômicas, estas antes definidas pela vontade Divina. Se antes a igreja Católica condenava a acumulação de riquezas e o trabalho era tido apenas como uma maneira de subsistência, agora com a doutrina Calvinista, ele passa a ser valorizado e compreendido como algo que dignifica o homem.

A partir de então Weber estabelece uma ligação entre o Protestantismo e o surgimento do Capitalismo, nessas regras ele vê a manifestação do ethos: a ideia da profissão como dever e da necessidade de se dedicar ao trabalho produtivo como fim em si mesmo. Além disso, ao analisar o Puritanismo, Weber percebe a ideia de trabalho árduo, sério, honesto e disciplinado como meio de o indivíduo provar sua qualificação religiosa para escapar da predestinação (ideia de que o indivíduo nasce salvo ou condenado por Deus independente dos méritos).Dessa forma, a religião contribui para formar o moderno homem de negócios e até mesmo o trabalhador atual, nas palavras de Weber: "ela fez a cama para o homem econômico moderno"(pg.158).

Além disso, o Protestantismo tem como característica: a riqueza ser vista como bem de Deus, visão individualista do mundo; a base de homem despossuído e só (que será assalariado) e liberdade religiosa que abre espaço para a liberdade de empreender. Desse modo, o sistema capitalista é nutrido por essas ideias, pois a partir de então a acumulação de riqueza não é mais vista como pecado e a obrigação de prestar serviços sociais como abrigos para órfãos e viúvas não são mais vistas como justificação para a fé. Análogo aos temas aqui já mencionados, desde a década de 1990 o empreendedorismo é uma atividade que vem crescendo no Brasil. O ato de empreender é uma característica assídua de países capitalistas que apostam no lucro e formação de capital. Em paralelo a isso, o número de evangélicos também têm aumentado gradativamente, aproximadamente 31% da população brasileira é evangélica segundo o Data Folha. Desse modo, compreende-se que tal atividade econômica está ligada a religião ainda que de forma indireta.

Outrossim, é a relação do Protestantismo com a decisão de empreender, pois as igrejas protestantes adeptas da Teologia da Prosperidade nutrem a ideia de que Deus deseja que o homem seja rico e tenha uma vida em abundância e para isso deve trabalhar constantemente. Similarmente, essa relação pode ser observada de maneira mais prática na conduta de grandes empresários brasileiros que não só professam o Protestantismo como são de fato importantes líderes religiosos, como Edir Macêdo, bispo da Igreja Universal (adepta a ideologia antes mencionada) e dono de grandes empresas como a emissora Record, considerado o pastor mais rico do país segundo a revista Forbes. Desse modo, mais uma vez as ideias weberianas acerca da Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo fazem-se verídicas: "o fato de que os homens de negócios e donos de capital, assim como os trabalhadores mais especializados e o pessoal mais habilitado em técnica comerciais das modernas empresas, são predominantemente protestantes"(Idem,pg.39).

Depreende-se, portanto, que o Protestantismo é um dos fatores que favoreceu o crescimento do empreendedorismo no Brasil, assim como a Ética Protestante contribuiu para a formação de um novo sistema econômico como o capitalismo. Dessa forma, através dos conceitos citados e aprofundados anteriormente, não se pretende colocar o Protestantismo como fator decisivo do desenvolvimento de pequenas e grandes empresas nacionais, mas sim entender a sua influência ainda que implícita no ambiente econômico.

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